Assim sou EU....

A menina de olhos castanhos, do cabelo comprido, do sorriso sincero, da risada esquisita, dos sonhos impossíveis, da esperança interminável, de insegurança constante, dos amigos perfeitos, do coração enorme.
Aquela que se apaixona, que se esquece dos erros, que se envergonha de tudo, que se sente sozinha, e que nunca desiste. A menina que precisa ser protegida, que chora por tudo, que morre de medo, que ama a vida, que se desespera, que aproveita cada segundo, que é romântica, que fica feliz com um abraço, que sonha demais, que pensa demais, que complica demais e que deseja apenas ser feliz!

terça-feira, 9 de outubro de 2012


“Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor, mas permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre a minha nocauteante beleza. Tenha vida própria, me faça sentir saudades, conte umas coisas que me façam rir, mas não conte piadas, nem seja preconceituoso, não perca tempo cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude.

Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada (então fique comigo quando eu chorar, combinado?). 

Seja mais forte que eu e menos altruísta. Não se vista tão bem, gosto de camisas pra fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto, boca, cabelo, os pelos no peito e um joelho esfolado. Você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiíta contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. 

Invente um papel pra você que ainda não tenha sido preenchido e o inverta às vezes, me enlouqueça uma vez por mês mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca. Goste de música e de sexo, goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família, isso a gente vê depois, se calhar. Deixe eu dirigir seu carro aquele carro que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos, me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções, me rapte. Se nada disso funcionar, experimente me amar.”

(Martha Medeiros - Cartas extraviadas e outros poemas)

Um comentário:

  1. fantastico, é o mais fiel retrato de minha atual companheira, inaceditavel como alguem conseguiu escrever uma vida real e uma forma de ser feliz

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