Assim sou EU....

A menina de olhos castanhos, do cabelo comprido, do sorriso sincero, da risada esquisita, dos sonhos impossíveis, da esperança interminável, de insegurança constante, dos amigos perfeitos, do coração enorme.
Aquela que se apaixona, que se esquece dos erros, que se envergonha de tudo, que se sente sozinha, e que nunca desiste. A menina que precisa ser protegida, que chora por tudo, que morre de medo, que ama a vida, que se desespera, que aproveita cada segundo, que é romântica, que fica feliz com um abraço, que sonha demais, que pensa demais, que complica demais e que deseja apenas ser feliz!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Cuidado: frágil


O que mais me encanta no ser humano é quando ele consegue enxergar suas próprias fraquezas. 

Diariamente somos testados por nossos medos, nossas fragilidades, nossas incertezas. Vivemos rodeados de gente que se busca, que se perde, que não se entende. Mas sente. De alguma forma as pessoas aprenderam a sentir. Algumas numa intensidade tamanha; outras a sua maneira. Rasa. Mas sentem. E isso já é lindo.  

Hoje, eu consigo enxergar a vida de uma forma diferente da que eu tinha ontem. E que felicidade reconhecer isso. Que alegria saber que eu posso mudar do dia para a noite. Ou o reverso disso. A ordem dos fatores é só um detalhe. O que vale mesmo é ouvir-se no meio deste turbilhão que trazemos dentro. 

Temos uma fome insaciável de felicidade. Queremos tudo ao mesmo tempo.  Queremos amar e ser amados. Queremos sorrir e ficamos felizes quando somos retribuídos. Nós queremos, buscamos, corremos. E o que somos nisso tudo? 

Penso que somos as sementes do que lemos, das experiências que tivemos, do que a gente aprendeu na escola da vida. E como aprendemos. Todos os dias. Somos referências para alguns e temos outros como a nossa. Queremos ser eles, quando crescermos.  

O tempo passou e cá estamos nós. Sós. Querendo carinho, querendo um afago, um abraço sincero. Um abraço de urso. Somos humanos. Podemos ser sorrisos e lágrimas em uma mesma nota. Somos equilibristas no trapézio da vida. Somos. Tanto. Tantos.

E sem querer agimos por impulso. Falhamos. Decepcionamos. E nos decepcionam também. E a gente tem que aprender a lidar, a driblar, a viver. A fraqueza que eu comentei logo no início, é daquela parte da gente que pouco fala, que pouco é ouvida. Daquela parte que, na nossa pressa, deixamos de lado. Deixamos para depois. Para um dia desses, quem sabe. Se der tempo. 

Por isso, é que todos os dias eu tento me entender. E me perdoar. E me amar, mesmo com as fraquezas que tenho. Eu me aceitei assim. Imperfeita. Impura. Frágil. Humana. Na essência do sentimento. E da palavra que ela quer dizer.

Uma prova de amor - Edwina Hayes Feels like home

Sintonia


Tem gente que traz magia no olhar. Parece refrão de música, mas eu já tive a sorte de encontrar esse "tipo em extinção" por aí. E que alegria ter essa sorte. 

Sou uma observadora nata. Eu gosto de admirar o outro. De ver seus trejeitos, suas risadas, seu modo de falar, de abraçar. De ser. Como me encanta quando tenho a chance de ver o outro sendo. Eu sou tanto quando ele é. Somos então. Dois em um.

Eu tenho um carinho especial por essa leva de gente que faz com que a gente se enxergue um pouco também.

Eu já me vi, diversas vezes, em rostos que cruzaram a mesma calçada que a minha. A mesma festa que a minha. A mesma felicidade que me tomava naquele determinado momento. Eu me enxerguei naquelas pessoas. Eu me identifiquei com elas. Com o silêncio, com a palavra, com a essência delas.

Cada um chama isso do modo que preferir, mas eu chamo de sintonia. De sensação boa. De sentimento bom. Encontro bom.

Quando existe uma troca entre as pessoas, a bonita reciprocidade que eu tanto falo nas coisas que escrevo e que, de certo modo, eu tento trazer para a minha vida (e levar um pouco disso para as pessoas que acompanham meus escritos), é o que faz com que a gente continue. Eu pelo menos sempre continuo. Porque o que faz bem dentro, se quer perto.

Que essas pessoas continuem caminhando ao meu lado. De mãos. De abraços. De levezas. Que a gente continue sendo tanto uns para os outros. Que continuemos nos vendo no outro, nos identificando com ele.  E com a incompreensão que muitas vezes ele nos causa, também. Somos também um pouco disso. Ou muito. Quiçá.

Acaso


E foi por uma distração que você apareceu. Chegou, simplesmente.

Eu encontrei quem já me esperava sem nem me conhecer. Bem sei que parece confuso, desconexo, mas foi assim. Simples e ao mesmo tempo tão diferente dos outros. Ele foi.

De uma forma natural e sem pretensão alguma, ele se aproximou de mim. E eu dele.

Discretamente, eu estava sendo notada. Ele observava meu modo de falar, minhas risadas altas, minhas manias, já ali, tão expostas. E isso nos aproximou. E também despertou o meu interesse por ele. Pela história dele. Pelo som que a risada dele teria. Pela forma que ele enxergava a vida. E houve a troca. Timidamente ela estava acontecendo. Nascendo diante dos nossos olhos. Houve, da mesma forma, uma energia doce que nos brindava naquela noite linda, de lua crescente.

E aos poucos eu fui me encantando. Eu fui me sentindo atraída por aquele moço tão bem resolvido, tão intenso, tão utópico. Tão. Ele foi me cantando, me trazendo pra perto. É como se apenas nós estivéssemos naquele bar. E de improviso inventamos uma redoma bonita. Nasceu uma curiosidade bonita, um na vida do outro. Uma sensação de já nos conhecermos, de já estarmos juntos antes. Em outras vidas. Em outras noites talvez. Em outros sorrisos talvez. Houve duas pessoas que queriam imensamente estarem perto. Estarem juntas. Estarem.

E depois de tanto conversar, e o tempo passar sem que a gente nem sequer percebesse, tínhamos ainda muito mais para oferecer um ao outro. Mais assunto. Mais vontade. E mais. E lentamente eu fui me envolvendo com o sorriso dele. Com o jeito que ele me olhava. Com a atenção que ele me dedicava. E tudo aquilo me deixou ainda mais entregue. E foi bonito porque veio de dentro.

Não houve uma aproximação de corpos, mas de almas. De desejos. De afetos. De escolhas. Nós escolhemos a companhia um do outro. E mesmo que aquela noite nunca mais tenha se repetido, eu fiquei ainda com o cheiro dele na minha blusa. Naquele último abraço de despedida. Naquele momento,  encerramos uma nova história em nossas vidas. Nós não éramos mais os mesmos. Eu estava tocada por aquele homem. Eu não era a mesma de quando nos vimos pela primeira vez. Quando nem ao menos palavra alguma tinha sido pronunciada. Fomos.   

Diario de uma paixão - The Reason

Alguém...

E você conhece alguém que realmente toca diferente. Alguém diferente de todos os outros que você conheceu por aí.

Ele poderia ter sido apenas um cara. Poderia. Mas ele escolheu fazer a diferença entre todos os que já haviam cruzado o seu caminho. Entre todas as conversas que ela havia tido antes, a dele foi a mais atrativa. A mais doce. Sem ser lugar-comum.

Ele revirou suas ideias, seu cabelo. Seu corpo inteiro.

Mesmo que ele não tivesse intenção alguma, ele foi. Ele é. A coisa mais linda que aconteceu na vida dela nesses últimos tempos. Nesses últimos meses. Nessas últimas semanas. Diferente de todos os outros caras. Ele. De todas as outras aventuras que ela teve. De todos os amores que vinham e logo iam embora. De todas as promessas. Ele não fez nenhuma.

Ele é mais que um cara, ele é um "querer bem", um "querer junto".

É pela sensibilidade dele que ela ficou. Encantada. É pela novidade que ele oferece. Pela casa, pela harmonia. Pelo sossego. E pela invasão também. Pela presença tão inteira. Pelos encontros não marcados.

Mas ele precisava ser assim para lhe tocar tão profundamente. Tão bonito. Tão sensível. Dono de uma essência clara. De uma pureza rara.

E ela se dói pela sua vastidão.

Ela e ele. Eles. A moça e o moço que se reconstroem, reconhecem, reinventam. Que se buscam tanto e se querem mais ainda.

Eles ainda não sabem, mas serão tão felizes juntos. Talvez seja por já serem tanto, mesmo antes de serem. Um.

Sempre...


Eu aprendi...

E você olha para o tempo como se ele sempre estivesse ali, mas ele não esteve.

Eu aprendi que os ponteiros do relógio não perdoam. O tempo passa ligeiramente, não importa com quem você esteja ou como você esteja. As pessoas entram e saem da sua vida numa velocidade absurda. E você tem que se acostumar com isso.
Eu aprendi que temos de se adaptar com o ritmo das coisas. Adotar um estilo de vida que condiz com a vida que você quer levar. Com as pessoas que quer ter perto. Que quer. Perto.
Eu aprendi que a gente tem que encontrar uma forma (menos dolorosa) de encarar as nossas crises, as nossas perdas, os desalinhos que cruzam a nossa estrada. E seguir. Sem culpa. Sem tristeza. Sem pena de si mesmo.
Eu aprendi que por mais que você ame muito alguém, essa pessoa vai se encarregar de te decepcionar algum dia. Algum mês. Por toda a vida.
Eu aprendi que as melhores respostas estão dentro de mim. Quando eu ouço atentamente o meu coração, eu consigo entender com mais clareza o que me aflige, o que me desmancha em sorrisos, o que me sensibiliza em afetos.
Eu aprendi mais sobre mim depois que me afastei de você. Depois que aprendi a sentir, por mim  mesma. A gostar por mim mesma. A ser por mim. Eu fui me descobrindo dia após dia. Sentimento após sentimento. Música após música. E eu fui me orgulhando tanto com a pessoa que o tempo foi criando. 
Eu aprendi que os valores, levados para o resto da vida, são ensinados ainda na infância.
Eu aprendi que as pessoas que você mais ama, são tomadas de você muito depressa. Antes mesmo da hora de você entender o que é perder alguém. E ter que seguir a vida mesmo assim.
Eu aprendi que erros passados não justificam erros futuros. Que se você errar no mesmo quesito duas, três, cinco vezes que for, o problema não está na sua falta de sorte, mas nas escolhas que você está fazendo. Nos sentimentos que você está envolvendo. Nas pessoas que você está dando o valor que não merecem.
Eu aprendi que dançar sem parar uma noite inteira, me deixa mais leve. Mais dona de mim. Mais segura para enfrentar a aspereza do mundo.
Eu aprendi que um abraço pode ter a mesma função de uma terapia. De dois em um mesmo sentir.
Eu aprendo tanto todos os dias. E não quero nunca me deixar de aprender.

Goo Goo Dolls - Iris (Tradução - Cidade dos Anjos)



Ninguém sabe o que a gente leva dentro.

Até os mais próximos, os mais íntimos, os mais de tanto tempo. Eles também não sabem o que a gente leva dentro. E são tantas  coisas que nos acompanham. Tantos sentimentos, medos, desilusões, alegrias incontroláveis, tristezas profundas, suspiros, tantos, quantos.

Quantos somos dentro?

Podemos ser quem a gente quiser. Eu, ao menos, me visto de várias em um mesmo corpo. Sou tantas aqui. E todas querem se exibir em demasiado para a vida. Todas querem uma felicidade que não existe, apenas nos contos, nas fadas. Todas querem sorrir sem motivo. Sem lugar, desmedidamente. Todas querem um amor pra vida. Um moço que consiga lhes tirar os pés e a cabeça do lugar. Todas querem enxergar a sinceridade nas pessoas, elas querem acreditar no ser humano de novo. 

Podem saber da nossa história, do nosso passado, dos erros presentes, das crises presentes, das alegrias presentes, mas não do que trazemos dentro. Ninguém sabe o que somos dentro.
Enxergam, escutam, opinam. Mas eles não sabem. Eles pouco - ou nada - sabem de nós. 

Falar pode esvaziar alguma tristeza, sorrir pode nos proporcionar a possibilidade de compartilhar uma alegria, abraçar pode curar um coração partido, um orgulho ferido, um sentimento colocado no lugar errado.

As pessoas conhecem a nossa versão, o nosso lado, as nossas queixas, mas não a nossa essência. Pouca gente sabe como a gente convive por dentro, sente, e é. De verdade.

Apenas nós levamos na bagagem da vida a nossa melhor parte, e o nosso mais bonito lado: o de dentro.

TEMA DO FILME ANTES QUE TERMINE O DIA

Não era amor...


Não era amor. Era um adorar diário. 
Não era amor, era uma vontade de recomeçar uma nova história todos os dias. 
Não era amor, era um bem-querer recém-nascido. 
Não era amor, era como se eu tivesse retornado de um lugar que eu nunca fui embora.
Não era amor, era um gostar mais que todos já visto até hoje. 
Não era amor, era agridoce. 
Não era amor, era vontade de ficar perto, sendo silêncio, barulho, não importava, bastava ser alguma coisa. 
Não era amor, mas eu me aconchegava no teu braço, e o barulho do mundo lá fora não me atormentava. 
Não era amor, era lucidez, caminhar leve e músicas que falavam por nós. 
Não era amor, era afeto macio, cheiro, presença. 
Não era amor, era o reconhecimento imediato daquela outra alma que falava a mesma língua que a minha. 
Não era amor, era invasão, urgência e delicadezas que se exibiam a todo instante. 
Não era amor, era vinho, verso e violão. 
Não era amor, era sensibilidade aflorada. 
Não era amor, eram sorrisos, zelo, soma. 
Não era amor. Era melhor...

Dia após dia...

Eu aprendi muito nesse tempo até aqui. Aliás, eu venho me compreendendo melhor nesses últimos meses, dias, horas que correm. Venho me aceitando mais imperfeita, sem tanta cobrança, sem muitas expectativas para que as coisas apenas deem certo. Sempre certo.
E a gente sabe muito bem que não é dessa forma que a vida funciona, e nem a gente funciona dessa forma dentro da vida. Desde a minha chegada, desde a última vez em que estivemos juntos, desde nós, sobrevivi a algumas rasteiras. A vida, moço, andou me testando radicalmente. Em todos os sentidos.
O tempo me cobrou uma série de promessas que eu havia me feito, de atitudes que eu havia me imposto. As linhas do tempo não perdoam, realmente. Tive que lidar com emoções interrompidas e superar isso em curto prazo, raso. Refleti melhor sobre algumas fugas que andei criando dentro de mim.
Perfumei algumas lembranças com alecrim, na intenção de espantar toda e qualquer tristeza, caso alguma ainda estivesse. Eu quero é sentir o cheiro do Agora batendo na minha porta.
A solidão também esteve me fazendo companhia. Andei afastada do mundo e de certa forma de mim também. E eu precisava desse tempo longe. Me abstrair, experimentar meu estado, meu processo, minha inteireza nada convencional.
O fato é que andei me machucando demais. As feridas mal cicatrizavam e logo surgiam outras e outras e outras para eu curar. Eu precisava me libertar daquilo que timidamente destruía minha alma, minhas verdades, o riso que sempre me salvou, me abasteceu.
Quando percebi que eu não estava mais encontrando o caminho de volta, passei a remar ao meu favor de novo. Eu precisava de mim mais do que tudo, e não seria agora que eu teria a coragem de me abandonar. Seria uma covardia descomunal comigo.
Mesmo quando as promessas foram desfeitas, mesmo quando as palavras ditas passaram a ser frequentemente esquecidas, seria imperdoável. Mesmo que tantos valores estejam sendo substituídos pela cegueira humana que nos assombra, ainda que o ponto de vista das coisas esteja do avesso, reverso, verso a esperança de dias melhores.
O que me conforta é saber que hoje eu estou no lugar que eu escolhi, sendo quem eu sempre quis ser. E essa é a minha mais bonita forma de ser plural, a minha permissão de ser durante: (re)florescendo dia após dia.